Göteborg – parte negra

E eis que então chegou o dia da manifestação em apoio as manifestações no Brasil, em Gotemburgo. Já haviam feito uma em Stockholm, mas infelizmente é mais longe e mais caro ir para lá. Eu e Andy resolvemos aproveitar o embalo, e passear um pouco por Göteborg também, mas este é o assunto do próximo post.

Manifestações no Brasil. Não quero me estender muito no assunto, e nem entrar em nenhuma discussão ideológica filosófica, mas minha posição é: sou a favor de um Brasil melhor. O Brasil é um país com imenso potencial para ser um dos melhores países para se viver, vejam só: o clima é ótimo, tem espaço, a terra é fértil, tem riquezas minerais por todos os lados. O único problema que impede que o país floresça, é o próprio brasileiro. O brasileiro esperto, que se acha melhor por passar o outro pra trás. O brasileiro corrupto, que rouba, desvia e aproveita do dinheiro dos outros. O brasileiro que se acha acima das leis (morais e éticas também). O brasileiro que ao invés de pensar melhor e investigar os candidatos que vota, vota no amigo do pai, do avô, ou simplesmente no primeiro que aparecer. O brasileiro que, insatisfeito com as condições do país, não faz nada, simplesmente senta no seu sofá e maldiz o país. As manifestações são o que, a população insatisfeita encontrou como meio de se fazer ouvida, de tentar resolver o que dirigentes não conseguem (querem) resolver. Apoio a liberdade, apoio a democracia e apoio a tentativa de melhorar as condições do país.

Foi com esse objetivo que fui até Gotemburgo, mostrar meu apoio a um país melhor. Lá, vi que não seríamos muitos, mas já valia a caminhada. Encontrei com minha amiga Maria, e dividimos o cartaz dela que pedia por um país laico (referência ao Marco Feliciano, presidente da comissão dos direitos humanos, que age de acordo com sua crença, que vai contra parcelas da humanidade), o que apoio. Na manifestação, pessoas leram em português e sueco, as razões do protesto no Brasil e porque as pessoas estão tão insatisfeitas. Cantamos o hino nacional, Pra não falar que não falei das flores, e uma outra música que não conhecia. Tudo indo bem, até que escuto atrás de mim, umas pessoas gritando “Quando vai começar o pagode?”.. Olho pra trás vejo que era uma mulher, e duas adolescentes cantando músicas aleatórias sozinhas, falando alto, tirando fotos de “Facebook” , com o intuito, acredito eu, de “aparecer”.. Sou a favor da democracia, portanto, cada um com seus objetivos.. Mas estávamos ali, falando das pessoas que foram injustamente atacadas e feridas pela polícia, enquanto lutavam pelos seus direitos, e a pessoa me grita que horas começa o pagode? Achei desrespeitoso e na mesma hora desci do monumento e fui para outro lado até terminar o protesto. Fiquei me perguntando porque estava ali, e se estávamos todos com o mesmo objetivo, e percebi que não. E é justamente esse grupo que entra na parte que “atrasa” o país. Terminado o protesto fomos eu, Andy e Maria tomar um café e conversar, e a Maria, que era uma das organizadoras do protesto, dividiu comigo sua insatisfação e arrependimento de ter resolvido ajudar a organizar. Ela conta tudo aqui. Bom, fiz minha parte, mesmo de longe, e ainda apoio a tentativa de melhorar o país. Espero que o brasileiros que realmente querem essa mudança, não desistam, lutem, e acima de tudo, olhem pra dentro de si mesmos e mudem suas atitudes que empacam o país. Eu já estou me reabilitando.

Artigo em sueco sobre a manifestação

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4 thoughts on “Göteborg – parte negra

  1. Faço das suas palavras as minhas (me refiro ao início do post, quando você mostra sua insatisfação). Acho que o problema do Brasil é o brasileiro corrupto, que não perde uma oportunidade de passar o outro pra trás. E sobre esse pessoal sem noção que apareceu na manifestação: andei por dentro de outras manifestações e parece que teve gente desse tipo em todas as manifestações. Triste…

    beijos

  2. Oi Pri!
    Sabe que quando eu escuto alguém falando coisas estranhas como (caso Feliciano) que os gays precisam ser curados eu fico pensando no princípio democrático… mas escutei uma coisa muito legal no rádio essa semana: democracia é respeitar que temos opiniões diferentes, mas preconceitos não são opiniões, o preconceito equivale a falta delas. Pois quando se tem um preconceito significa que a ideia não foi trabalhada. Assim, o racismo, a homofobia, o machismo não cabem no princípio democrático. Pessoas com esse tipo de postura não estão lutando por democracia, mesmo que estejam gritando um não a corrupção. Isso só significa que você tem enorme razão: temos que ficar longe de pagodeiras que não sabem o que estão fazendo no meio de manifestações. 😛
    Até!

    • Eu não entendo muito bem o que incomoda tanto as pessoas preconceituosas… A cor da outra pessoa? A opção sexual ou o gênero dela? Afinal, isso só diz respeito a outra pessoa… Não afeta em nada a vida dos preconceituosos… Que tal se cada um cuidar do seu nariz e parar de preocupar com a vida dos outros? Algo de útil poderia sair disso…

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